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6 de maio de 2016
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POR QUE LER LIVROS INFANTO-JUVENIS?

A literatura infanto-juvenil, repleta de fantasias e alegorias de todos os tipos, caracteriza-se por ser dedicada especialmente às crianças e jovens adolescentes. Perceba, porém, que ela é produzida especialmente e não exclusivamente para esse público.

Então por que essa categoria de livros é tão facilmente desprezada pelos adultos, “detentores de toda razão e conhecimento”? Por que, apesar da riqueza de detalhes, da inesgotável criatividade, do cuidado estético e das diversas camadas interpretativas que um livro infanto-juvenil pode apresentar, ele dificilmente é considerado um cânone? Talvez, Antoine de Saint-Exupéry, em seu livro O Pequeno Príncipe, já tenha respondido com clareza essa questão: “Os adultos nunca conseguem compreender nada sozinhos” (SAINT-EXUPÉRY, 2015, p.10).

Acredita-se que ao crescer as pessoas possuem tempo apenas para o que diz respeito à complexa atividade humana e seu respectivo mundo capitalizado, ignorando, portanto, tudo que é do âmbito infantil. Supõe-se, também, que a fantasia em geral é pueril, pois algo que exige tanto da imaginação só pode ser coisa de criança. Aqueles que pensam assim se esquecem que toda ficção se baseia na imaginação, tanto de quem a cria quanto de quem a consome.

A aparente ingenuidade das obras infantis é, na verdade, um artifício para apresentar questões importantes e complexas de forma compreensível aos jovens leitores, uma vez que lêem o mundo a partir de um raciocínio diferente, mas não menos eficaz, do raciocínio de um adulto. Dessa forma, é perceptível que um livro infantil não é necessariamente menos elaborado, menos intrigante, menos crítico e com menos cunho moral do que um livro voltado para um público restritamente adulto. A diferença está apenas na forma de abordagem.

De acordo com a obra Psicanálise dos Contos de Fadas, o psicólogo infantil, Bruno Bettelheim, diz que para dominar problemas psicológicos do crescimento, como: decepção, narcisismo, complexo edipiano, rivalidade fraternal, e outros, a criança precisa entender o que está passando dentro de seu “eu” consciente para que também possa enfrentar o que se passa em seu “eu” inconsciente. Nesse contexto, os “contos de fadas” desempenham um papel importante na formação do caráter dos leitores, pois tratam de temas polêmicos de maneira sutil, entretanto, sem omitir totalmente a crítica (BETTELHEIM, 2002).

É nesse ponto que entra em cena o talento do escritor. Não é qualquer um que consegue escrever um bom livro para crianças. É necessário ter imensa sensibilidade, domínio das palavras e uso de alegorias para conseguir apresentar a conflitante realidade social dentro da perspectiva infantil, sem jamais subestimar a capacidade do pequeno leitor de enxergar aquilo que o autor pode e deve colocar nas entrelinhas. Só a satisfação de admirar um bom trabalho de escrita, feito para um público tão específico, já faz valer a leitura.

Diante disso, resta aos adultos, “detentores do saber”, abandonar suas ideias de superioridade e seus preconceitos e resgatar sua sabedoria de criança, mergulhando por inteiro em um universo completamente diferente, recheado de magia, seres mitológicos, acontecimentos sobrenaturais e fantasia. Um lugar onde, sem perder a leveza e o encantamento, as questões humanas e os conflitos sociais também são amplamente debatidos, só é preciso querer enxergá-los.

Então por que ler livros infanto- juvenis?

A questão é: Por que não lê-los?

Fonte: http://obviousmag.org/onirismo_diario/2016/por-que-ler-livros-infanto-juvenis.html

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